História
da Umbanda |
Caboclo
das Sete Encruzilhadas |
Religião de raízes antiqüíssimas, cujas origens
remontam a eras anteriores ao Cristianismo, sua liturgia encontra-se
a cada passo do Velho e do Novo Testamaneto, nos Templos do Egito e da Índia
antiga e na própria Igreja Católica. Por mais remota que
seja uma religião, nela encontraremos os vestígios da Umbanda;
ou, sob outro ponto de vista, de cada uma delas a Umbanda dos nossos
dias colheu uma contribuição para consolidar a sua própria
liturgia. |
Pai
Antonio |
A partir dessa data, a casa da família de Zélio tornou-se
a meta de enfermos, crentes, descrentes e curiosos. Os enfermos eram
curados; os descrentes assistiam a provas irrefutáveis; os curiosos
constatavam a presença de uma força superior; e os crentes
aumentavam, dia a dia. Cinco anos mais tarde, manifestou-se o Orixá Male, exclusivamente para a cura de obsedados e o combate aos trabalhos de magia negra. Passados dez anos, o Caboclo das Sete Encruzilhadas anunciou a segunda etapa da sua missão: a fundação de sete templos, que deveriam constituir o núcleo central para difusão da Umbanda. A Tenda da Piedade trabalhava ativamente, produzindo curas, principalmente a recuperação de obsedados, considerados loucos na época. Já então se contavam às centenas as curas realizadas pela entidade, comentadas em todo o Estado e confirmadas pelos próprios médicos que recorriam à Tenda, em busca de cura dos seus doentes. E o Caboclo indicava, nas relações que lhe apresentavam com o nome dos enfermos, os que poderia curar, eram os obsedados, portadores de moléstia de origem espiritual; os outros dizia ele, competia à medicina cura-los (Relato de Martinho Mendes Ferreira). Zélio, já então casado, por determinação da entidade, recolhia em sua residência os enfermos mais necessitados, até o término do tratamento espiritual. E muitas vezes as filhas, Zélia e Zilméia, crianças ainda, cediam o seu aposento e dormiam em esteiras, para que os doentes ficassem bem acomodados. Nas reuniões de estudo que se realizavam às quintas-feiras, a entidade preparava os médiuns que seriam indicados, posteriormente, para dirigir os novos templos. Fundaram-se assim as Tendas Nossa Senhora da Guia, Nossa Senhora da Conceição, Santa Bárbara, São Pedro, Oalá, São Jorge e São Jerônimo. Seu dirigentes forma: Durval de Souza, Leal de Souza, João Aguiar, José Meireles, Paulo Lavois, Joâo Severino Ramos e José Álvares Pessoa, respectivamente. Pouco depois, a Umbanda começou a expandir-se pelos Estados. Em São Paulo fundaram-se na capital, 23 tendas e 19, em Santos. E a seguir em Minas, Espírito Santo, Rio Grande do Sul. Em Belém – relata Evaldo Pina – fundou-se a Tenda Mirim de São Benedito, dirigida por Joaquim e Consuelo Bentes. Ele, capitão do Exercito, que servia na Capital da Republica, transferiu-se para o Pará, exclusivamente para levar a mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Confirmaram-se a frase pronunciada na Federação Espírita: “Levarei daqui com semente e vou planta-la nas Neves, onde ela se transformará em arvore frondosa”. Em 1937, os templos fundados pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas reuniram-se, criando a Federação Espírita de Umbanda do Brasil. E, em 1947 surgiu o JORNAL DE UMBANDA que durante mais de vinte anos foi um órgão doutrinário de grande valor. Floriano Manoel da Fonseca acompanhou Zélio de Moraes na instalação das Federações umbandistas em São Paulo e Minas Gerais. É comum ouvir-se dizer que a Umbanda foi trazida ao Brasil pelos escravos. (grifo nosso) Entretanto, devemos considerar que a Umbanda surgiu sobre o amalgama das crenças existentes na época: os cultos negros, os nativos e o Cristianismo. Diz Cavalcanti Bandeira: “ dos africanos vieram o nomes, ritual e costumes; dos índios, alguma denominações e outro costumes; dos espíritas, a doutrina filosófica moderna; do catolicismo, os Santos, os sacramentos e alguma coisa do ritual, dos orientais, todos os fundamentos teológicos.” (grifo nosso) |
A
crença dos Negros desempenhou papel relevante, na formação
da UMBANDA, da qual constituiu um dos principais alicerces, dando-lhe,
como contribuição primordial, os Orixás. Em sua
pratica a Umbanda aproximou-se mais da origem nativa, na estrutura, porém
prevaleceu a influência africana. Os conceitos de Reencarnação e da comunicação com os desencarnados já existentes nesses cultos, foram reforçados pelo Espiritismo, através de sua doutrina esclarecedora. O Catolicismo deu valiosa contribuição à Umbanda, em grande parte por influencia do negro, ao qual havia sido imposta a assimilação do Orixá ao Santo e também através dos primeiros médiuns, umbandistas, ainda afeiçoados à religião dominante na época. Umbanda é produto de uma evolução religiosa. Suas origens encontram-se nas filosofias orientais – fonte inicial de todos os cultos do mundo civilizado. E a sua implantação em nossa terra, deu-se com a fusão das práticas, dos conceitos e crenças do negro, do branco e do índio. O emprego do termo Umbanda pelo CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, pela primeira vez para definir um culto religioso, no Brasil, deu origem à controvérsias, anos após a fundação dos primeiros templos Umbandistas. Entretanto, podemos constatar que, embora existente no idioma africano, o vocábulo não era de uso corrente nos Candomblés e nas seitas dele derivadas. No livro que reúne as teses apresentadas ao I Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda, realizado em 1941, o vocábulo UMBANDA é considerado de origem sânscrita: “a raiz mais antiga de que há registro acerca de UMBANDA encontra-se nos famosos livros da Índia, os “Upanishads”. Refere W.W. da Matta e Silva (“Umbanda de Todos Nós”, edição de 1956 páginas 12 e 13): “ Verifica-se que até os anos de 1900, 1904, 1916 e 1917, os autores em pesquisas e apurados estudos, na época em que os Candomblés conservavam-se mais puros, não encontraram o vocábulo Umbanda”. Matta e Silva cita o testemunho de Waldemar Bento (“A Magia no Brasil”) Roger Bastides (“Imagens do Nordeste Místico”), Gilberto Freyre (“Estudos Afro-Brasileiros”), Nina Rodrigues (“O Animismo Fetichista dos Negros da Bahia”), João do Rio (“As Religiões do Rio”). Cavalcanti Bandeira reporta-se aos mestres do idioma africano, citando o vocábulo UMBANDA como “arte de curar”, “magia”, “faculdade de curar por meio da medicina natural ou sobrenatural”, ou ainda “os sortilégios que, segundo se presume, estabeleçam e determinam a ligação entre os espíritos e o mundo físico”. Voltemos novamente a Matta e Silva, que diz, à pagina 35 do livro citado: “ O vocábulo UMBANDA só pode ser identificado dentro das qualificadas línguas mortas. Todavia, entre os angoleses, existe o termo Kimbanda, que significa sacerdote, invocador dos espíritos, firmado no radical “MBANDA”, conservado através de milênios, legado da tradição oral da raça africana, o qual é uma corruptela do original UMBANDA ou AUM-BANDHÔ… E prossegue: “ Toda essa complexa mistura, que o leigo chama de macumba, baixo espiritismo, magia negra, evolvendo práticas fetichistas e barulhentas… era a situação existente, quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado pelo astral superior, feito pelos espíritos que se apresentara como Caboclos, Pretos Velhos e Crianças. Práticas as mas confusas e desordenadas, envolvendo oferendas com sacrifícios de animais, sangue, etc… E por tudo isso fez-se imprescindível um novo movimento, dentro desse s cultos ou da massa de adeptos, feito pelos espíritos carmicamente afins a essa massa e pelos que, dentro de afinidades mais elevadas, se pautam no amor e na renuncia em pró da evolução dos seus semelhantes, que foi lançado através da mediunidade de uns e outros, pelos Caboclos e Pretos Velhos, com o nome de Umbanda. O termo Umbanda que eles implantaram no meio, para servir de bandeira a essa poderosa corrente, ensinaram que é um termo litúrgico, sagrado, vibrado, que significa num sentido mais profundo, o conjunto das leis de Deus…” RAMATIS, em “Missão dos Espiritismo”, observa: “ os africanos praticavam a magia indistintamente, como um processo de dinamismo e ação no controle das energias do mundo oculto. Não se distinguiam a magia negra, como atividade maligna, ou magia branca, no sentido benfeitor, mas apenas a magia com os diversos processos de encantamento e feitiçaria… Antes da denominação de Umbanda, os ritos e intercambios mediúnicos eram somente conhecidos como Candomblé e macumba, sob o domínio completo do africano versado na magia…” |